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  PALÁCIO DO MARQUÊS DE RERIZ
Descrição:

PALÁCIO DO MARQUÊS DE RERIZ, pesada e imponente construção setecentista. Na fachada principal, quatro janelas e o brasão dos Almeidas, a encimar a portada. No flanco lateral, ao longo da Rua Direita, uma extensa fiada de janelas de sacada.
É "Imóvel de Interesse Público", por Decreto n.º 129/77, de 29 de Setembro.
No declinar do século XIX, ali se albergou, por mais de uma vez, a última Rainha de Portugal, nos períodos de tratamento nas Termas.
No fim da tarde do dia 5 de Junho de 1894, chegava a S. Pedro do Sul luzido cortejo de "mais de 30 carruagens", que, desde Viseu, acompanhava a rainha e os infantes D. Luís Filipe e D. Manuel. Após solene "Te Deum", na igreja matriz, a família real instalou-se no Palácio do, então, Conde de Reriz, onde permaneceu até ao dia 27. Na véspera da partida, chegava D. Carlos, que ali pernoitou, regressando a Lisboa toda a família real.
No ano seguinte, a Rainha voltou e de novo se albergou no Palácio do, agora, Marquês de Reriz, título que lhe havia sido concedido, em paga do fidalgo acolhimento do ano anterior. De 18 de Maio a 11 de Junho, a nobre mansão passou a ser, de novo, uma pequena corte. Os próprios convites que a Rainha endereçava eram encimados pela expressão "Real Paço de S. Pedro do Sul".


Concelho:  São Pedro do Sul
 
  Castro da Cárcoda
Descrição:

Situado num contraforte da serra da Arada, a cerca de 2,5 Km da sede da freguesia. A origem etimológica de Cárcoda deriva do vocábulo erudito Carcova, que significa: passagem escondida, passagem secreta ou subterrânea. Já a origem cronológica deste povoamento fortificado remonta á idade do Bronze, prolongando-se a sua ocupação até ao período Romano. Tem, portanto, a designação de Castro Romanizado.
Tal como as outras construções deste tipo, também o Castro da Cárcoda é circundado por uma dupla muralha, e dois cursos de água, que constituía um excelente sistema defensivo para os seus habitantes.
No interior da muralha, a zona de habitação era disposta em pequenas plataformas onde se construíam as habitações, em pedra, com paredes de mais de 2 metros de altura no momento da sua descoberta. As casas, construídas pela sobreposição de pequenas pedras assentes em barro, eram construídas em forma circular, oval ou rectangular, com coberta de tégulas e ímbrices.
Tem uma área que se calcula de 10 hectares. Foi revelado em 1954 pelo Prof. Correia Tavares, que deu primeira notícia pública. Desde logo, suscitou o interesse de especialistas, nomeadamente dos Professores da Universidade de Coimbra, Amorim Girão e Bairrão Oleiro, que, por delegação da Junta Nacional de Educação, passou a orientar o Prof. Tavares nas sondagens efectuadas. Em duas campanhas de escavações, realizadas em 1954 e 1955, foram postas a descoberto 24 das muitas dezenas casas que formam o castro. Em 1956, o Prof. Tavares, em comunicação ao XXIII Congresso Luso-Espanhol para o Progresso das Ciências, realizado em Coimbra, apresentou o resultado das suas pesquisas. Em trabalho posteriormente publicado, dá conta do que foi a sua actividade, nos anos de 1954-55 17.
As primeiras escavações efectuadas, puseram a descoberto um vasto espólio arqueológico que compreende cerâmica, vidros, metais, moedas, gravuras rupestres, pias rasgadas na rocha, instrumentos em bronze e ferro, e outros objectos lípticos, que se encontram na “Colecção Distrital de Viseu” tendo já estado exposto com todo o destaque, no “Museu Nacional de Arqueologia”, em Lisboa.
Em 2000 foram efectuadas escavações no Castro, coordenadas pela arqueóloga Drª Ivone Pedro. Este trabalho, ainda em fase de execução, realizou-se no âmbito de uma candidatura ao programa Leader II, que além da limpeza dos 7 hectares do terreno, permitirá melhores acesso, a vedação, sinalização, reconstrução de três casa castreja e a implantação de um posto de informação e de outro mobiliário.
Pelo seu elevado interesse, o Castro da Cárcoda foi classificado "Imóvel de Interesse Público", por Decreto n.º 40.361, de 20 de Outubro de 1955.

Concelho:  São Pedro do Sul
 
  CASAS DA COMENDA DE ANSEMIL (actual Quinta da Comenda)
Descrição:

Imaginemo-nos saídos de Viseu, a caminho de S. Pedro do Sul. Pouco antes desta Vila, à margem esquerda da estrada, encontraremos um conjunto senhorial do século XVIII. São as CASAS DA COMENDA DE ANSEMIL.
Na fachada principal da Casa, a Cruz de Malta assinala a posse da Comenda pela Ordem de S. João Baptista do Hospital e a data de 1745, o ano da reconstrução do edifício.
Mas a Comenda de Ansemil é muito mais antiga, anterior mesmo à fundação da nacionalidade. Nas Inquirições de D. Afonso III, disseram os jurados que "villa de Gogia est de Hospitali (...) et Domina Tarasia, Regina, dedit ipsam villam Hospitali", isto é, D. Teresa (mãe de D. Afonso Henriques) doou Goja aos Hospitalários, "podendo concluir-se, com segurança, - escreve o Dr. Alexandre Alves - que nesse tempo já os homens do Hospital estanciavam em Ansemil"3.
Já se fantasiou e se escreveu que, na Casa da Comenda, se alojou D. Afonso Henriques, quando, em 1169, veio ao Banho (Termas de S. Pedro do Sul) fazer tratamento. Em artigo que publicámos nesta revista4, mostrámos, com boas razões - e não vamos repetir os argumentos - que tal pretensão não tem o mínimo fundamento documental, ou sequer de tradição. E reforçávamos a nossa argumentação, escrevendo que, se a presença do rei na Comenda tivesse algum fundamento, o facto não teria escapado aos historiadores das várias épocas, nomeadamente ao probo investigador que é o Dr. Alexandre Alves, no seu trabalho "As Casas da Comenda de Ansemil", que atrás citámos.
Fechado este parêntesis, continuemos.
Com o decorrer do tempo, a Comenda tornou-se senhora de muitos bens. Uns lhe foram doados, outros foram comprados e de outros os comendadores se apoderaram pela força. Era vulgar os poderosos "filharem " bens, especialmente pertencentes à coroa.
A Comenda de Ansemil era poderosa. Tinha um capitão-mor e um sargento-mor, com cinco companhias de ordenanças - Ansemil, Ranhados, Boaldeia, Mortágua e Bustos - todos nomeados pelos comendadores. Dominava sete coutos em terras de Lafões e tinha bens em vários pontos do País, nomeadamente na cidade de Coimbra5.
Num período cruciante da História de Portugal, foi a Comenda de Ansemil palco de um acontecimento importante, pelo contexto em que se inseriu, e ficou conhecido por LEVANTAMENTO POPULAR DE ARCOZELO. Deve-se ao Professor António de Oliveira, da Universidade de Coimbra, a divulgação deste acontecimento6. Do seu trabalho nos servimos.
Corria o ano de 1635. Portugal estava sob o domínio de Espanha. O governo procurava por todas as formas obter receitas e decretou o pagamento de "hum donativo voluntario ". O povo estava já sobrecarregado pela carga fiscal. A cobrança do donativo correu bem em terras de Lafões, com excepção de Arcozelo, um dos coutos da vizinha Comenda de Ansemil, da qual, ao tempo, era comendador Frei Pedro de Araújo, que na Casa da Comenda vivia, juntamente com alguns familiares.
Em Julho de 1635, mandou o Corregedor de Viseu proceder à cobrança do imposto decretado. Quando o enviado do Corregedor chegou a Arcozelo, o povo, apoiado pelo Comendador, prendeu-o, recusou o pagamento e queimou o mandato. A recusa alastrou a outras aldeias da Comenda.
O Corregedor reenviou o "porteiro da correição", cobrador do imposto, que acabou por ser emparedado num curral de bois. "E - diz o auto lavrado- mandando elle corregedor a segunda hordem pello dito porteiro e por dous homens mais que vinhão em sua companhia, o ditto commendador os prendeu e mandou prender com muita gente armada e os meteo em sua casa em hua corte de bois e lhe mandou tapar a porta com pedra"7.
O Corregedor foi pessoalmente a Arcozelo "com seus officiães", a fim de dominar a rebelião e fazer a cobrança. "E chegando ontem a este ditto lugar mandou lançar pregão pello ditto porteiro da correição que nenhuma pessoa saisse pella manhãa de sua casa porquanto tinha que fazer com elles o pedido do donativo, e indo elle corregedor oje (26 de Julho de 1635) polla manhãa para o ditto efeito correndo as portas de todos elles não achou nenhum em casa e as portas fichadas por fora e muitos delles tambem trancados por dentro"8.
Quanto aos homens, nenhum apareceu. Pelos outeiros e caminhos tinham deixado espias, que vigiavam o Corregedor, que apenas os viu de longe, capitaneados por Pedro Lobato, filho bastardo do Comendador, e um seu irmão, Gaspar Lobato", com espingardas nas mãos". Outros barricaram-se na Casa da Comenda. Para lá se dirigiu o Corregedor, mas encontrou as portas trancadas. Apenas, numa das janelas, apareceu uma mulher, que foi encarregada de intimar Gaspar Lobato a comparecer numa ermida próxima, onde se esperaria que fossem pagar o donativo, enquanto se procedia à redacção do auto. Apareceu apenas um clérigo que disse ao Corregedor que fosse ele à Casa da Comenda.
A prudência do magistrado aconselhou-o a não se aproximar da Casa. Ali se encontravam "os dittos Gaspar Lobatto, e Pedro Lobatto amotinados com todos os homens destes lugares a sombra da caza da ditta comenda que he caza forte e de guerra com muitas seteiras no alto e no baixo para dahi ofenderem, e se defenderem (...) e porque elle corregedor se não achava com guente capas em numero para o prender nem seu officio era melitar senão o de justiça, e por hora se não fazia força a officiães della mandou fazer este auto"9. E o Corregedor regressou a Viseu sem cobrar o donativo.
Tudo consta do auto levantado, que se encontra na Torre do Tombo e foi publicado pelo Professor António de Oliveira.
O levantamento popular de Arcozelo, em 1635, insere-se no clima de descontentamento que grassava em todo o reino, contra o governo filipino, e vai ganhar maior amplitude com os motins de Évora de 1637, culminando com o 1.º de Dezembro de 1640.
Com o triunfo do liberalismo e a consequente extinção das Ordens Religiosas, a Comenda de Ansemil passou a fazer parte da Fazenda Nacional. As casas e a quinta foram-se degradando, até que, em 1984, foram adquiridas pelos actuais proprietários, que procederam a importantes obras de restauração e remodelação da casa.
Convertida em estância de turismo rural, ali se pratica agricultura biológica, especialmente na produção de vinho e frutas.


Concelho:  São Pedro do Sul
 
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