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Descrição:
A torre, ou castelo, de Vilharigues foi edificada nos finais do século XIII, estando possivelmente inserida no sistema defensivo das terras de Lafões, estruturado desde o século XI, que incluía várias torres senhoriais e atalaias dispersas pela região.
Os elementos estruturais que a constituem, como a presença de matacães, foram introduzidos na arquitectura militar portuguesa durante o reinado de D. Afonso III, e no reinado seguinte a arquitectura senhorial assimilou-os como signos de prestígio e poder.
De planta quadrangular, erigida sobre um podium , a torre encontra-se em avançado estado de ruína, subsistindo muito pouco da estrutura original.
Reconstituem-se duas das fachadas, uma com janela de mainel e parte de um balcão de sacada assente sobre quatro cachorros, outra com balcão ao qual se acede por porta rectangular.
O interior estaria dividido em três andares, sendo ainda visíveis os suportes murários dos pavimentos.
Concelho: Vouzela
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Descrição:
A jóia mais preciosa do seu património histórico é a IGREJA MATRIZ, consagrada a Nossa Senhora da Assunção.
Documentos do século XI falam de um mosteiro -"monasterium" - ou basílica - "baseliga" - existente em Vouzela: "...Christus Domnis inuictissimis sanctisque martiribus ac triumphatoribus santorum martirum sancta maria et sancti Saluatoris et sancti michael archangeli cuius baseliga fundata est in uilla quos uocitant uaucella subtus mons aguto (Castelo) territorio alahouene (Lafões) discurrente ribulo uauga . Obinde ego famulus dei daui et matrona et cidi quasi frater indignum et peccatorem damus et concedimus..."45. Segue-se a descrição dos bens doados. O documento é datado de 1083.
Documentos pouco posteriores voltam a referir-se ao mosteiro de Vouzela. Entre eles, um de 1113, em que se lê: "nos omnes neptos et neptas de Cidi Davidz de illo monasterio de Vauzela"46. Por estes documentos se deduz que este Cidi Davi deve ter sido o fundador do mosteiro.
No século XIII, os termos "monasterio" e "baseliga" desaparecem e, em sua substituição, aparece sempre o termo "ecclesia", o que se deve à instituição das paróquias. Nas Inquirições de D. Afonso III (1258), um jurado, interrogado sobre o padroado da Igreja de Vouzela "dixit, quod illi, qui descendunt ex progenie de Zidyelo et de Domno Davy, sunt patroni, et presentaverunt eidem eclesie"47.
Quer se lhe chame "baseliga" (1083), "monasterio" (1113) ou "eclesia"(1258), a igreja mantém-se sempre na família daquele Domno Davi, o que nos fornece dados importantes sobre a origem da actual Igreja Matriz de Vouzela. Obras nela operadas, em diversas épocas, introduziram-lhe algumas alterações, mantendo-se, contudo, as características estruturais48.
É um magnífico templo, classificado como "Monumento Nacional", por Decreto n.º 8.216, de 29 de Junho de 1922.
A encimar o portal gótico e no florão central da abóbada da igreja está o brasão de armas dos Almeidas e, no muro lateral esquerdo, uma inscrição que assinala o túmulo de Fernão Lopes de Almeida e sua mulher.
Concelho: Vouzela
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Descrição:
A denominada Casa da Cavalaria (Casa dos Almeidas) é actualmente propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Vouzela, tendo-lhe sido legada em 1894, estando a funcionar como Unidade de Cuidados Continuados.
Para esta casa terá sido transferido o Hospital que foi inaugurado a 24 de Junho de 1894 pela Rainha D. Amélia.
Nas Inquirições de D. Afonso III (1258) se lê que, em Vouzela, existia "unam caballariam forariam Regis". Não se tratava de cavalarias de fidalgos, mas de cavalarias de origem popular, vulgares na Beira, simples quintas destinadas à manutenção de gente militar. Isso mesmo se vê nas Inquirições de 1288, que mais não fazem que confirmar as anteriores: "no loguar que chamã vouzela ha hua Cavalarya Dom?es lavradores que he Cavallarya del Rey".
Sabe-se, porém, que, em meados do século XIV, estava na posse de fidalgos, pois, em 15 de Outubro de 1358, foram confirmados a Gonçalo Mendes de Vasconcelos, alcaide-mor de Coimbra, privilégios que a propriedade já tinha. Nesta família se conservou até que, em 1497, foi vendida a Fernão Lopes de Almeida, com licença régia e confirmação dos privilégios antigos.
Uma carta, datada de 17 de Maio de 1497, serviu a Braamcamp Freire para contrariar a tradição de que na Casa da Cavalaria nasceu DUARTE DE ALMEIDA, o DECEPADO. Mas vai mais longe, afirmando que o herói de Toro não só não nasceu na Casa da Cavalaria, como não eram seus antepassados, nem talvez parentes próximos, os Almeidas donos dela.
De facto, se a Casa da Cavalaria entrou na posse dos Almeidas em 1497 e a batalha de Toro foi em 1476, não pode lá ter nascido o Decepado. Braamcamp inclina-se para que tenha nascido em Santarém, porque ali casou, viveu e teve propriedades.
Em 1497 os Almeidas de Vilharigues terão comprado a casa (quinta).
Nota: Em 1959 este edifício era ainda o Hospital, o letreiro em ferro trabalhado, dizia : "Asilo-Hospital"
Concelho: Vouzela
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Descrição:
CAPELA DE S. FREI GIL - com a sua frontaria em estilo D. João V. Nela se conserva e venera uma relíquia constituída pelo maxilar inferior do santo vouzelense. Foi a relíquia trazida para ali, em 1626, como pode ver-se por certidão dessa data, passada pelo prior do Convento de Santarém, na qual se diz que a cedência da relíquia foi pedida pelo Dr. António de Escovar de Tavares, que era corregedor de Santarém e natural de Vouzela, «daonde tambem o era o bemaventurado Padre sam frey Gil Religioso da Ordem do nosso Glorioso Patriarcha Sam Domingos, o qual esta sepultado neste Convento daonde foi Prelado».
Muito se tem escrito sobre S. FREI GIL, misturando-se, não poucas vezes, a realidade e a lenda. Almeida Garret, Eça de Queirós, Teófilo Braga, António Correia d´Oliveira, João Grave e outros, com mais ou menos fantasia literária, mais ou menos pormenores, todos envolveram a vida do santo numa atmosfera de maravilhoso sobrenatural e romanesco, a lembrar o «Fausto», de Goethe. Em troca da sabedoria e da sua iniciação na magia negra, Gil teria vendido a alma ao diabo, num pacto que selara com o próprio sangue. Depois dos maiores desvarios, desiludido da ciência, renunciara ao mundo, amortalhando-se no seio dos frades dominicanos. Este é o lado lendário da sua vida.
Mas, para além da auréola de sobrenatural, lenda e fantasia literária que envolvem a sua figura, certo é que S. Frei Gil foi vulto notável da cultura portuguesa e mesmo europeia do século XIII. Desde catedrático da Universidade de Paris, a Provincial da Ordem Dominicana.
In «Património Histórico-Cultural da Região de Lafões» - A. Nazaré Oliveira
Concelho: Vouzela
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