O sítio
arqueológico de Nossa Senhora da Guia (Baiões) identifica-se com um antigo
castro, que teve uma diacronia de ocupação correspondente ao Bronze Final
(1500-700 a. C.), beneficiando de interações culturais e económicas com o mundo
mediterrânico e a fachada atlântica, num recinto onde a arqueologia descobriu
um grande depósito de fundidor, o que leva a considerar que o povoado, no
momento do seu apogeu, fosse um dos mais importantes centros de produção,
transformação e distribuição metalúrgica da região, tirando partido da
matéria-prima local (o estanho, que, juntamente com o cobre, serve para formar
a liga de bronze) e da sua centralidade face aos circuitos comerciais.
O fim
do povoado deu-se por volta do ano 700 a. C., parecendo ter sofrido com um
ataque, incêndio e consequente fuga da sua população, que abandonou
definitivamente o lugar.
O alto
do monte, na transição do século IX para o X, pode ter servido de castelo ou
atalaia, com consequente cristianização do lugar: a construção de um santuário
mariano, a que se deu o nome de Nossa Senhora da Guia, já nos séculos XI ou
XII, e que, contínuas intervenções, muito contribuíram para a destruição desse
antigo castro.
Nas
décadas de 70, 80 e 90 do século XX, os arqueólogos Celso T. da Silva, Armando
C. F. da Silva, António B. Lopes, Philine Kalp e outros tiveram mão nas
sucessivas campanhas científicas, escavando, exumando e estudando um vasto e
importante conjunto de materiais: do uso doméstico foram foicinhas de alvado,
argolas, taças, machados de duplo anel e de talão (alguns ainda dentro do
molde); de armas foram as pontas de setas e de lanças, os punhais; de adorno pessoal
foram as braceletes e os colares (alguns em ouro e pertencentes ao MNA),
fíbulas de dupla mola, argolas, pulseiras, contas de colares, âmbar;
considerados de culto foram os carrinhos votivos, as peças tumulares
(braseiros, queimadores, incensórios?), uma fúrcula e uma ponteira; sementes
carbonizadas; cerâmicas, especialmente as chamadas “cerâmicas do tipo Baiões –
Santa Luzia”; e vestígios de fundos de cabanas, fornos e muros.
Uma boa parte desses materiais encontram-se patentes ao público numa sala dos Paços Municipais de São Pedro do Sul, num núcleo expositivo a que se deu o nome de Coleção Arqueológica Monsenhor Celso Tavares da Silva, para prestigiar o nome e a ação desse arqueólogo em prol dos trabalhos desenvolvidos no castro de Nossa Senhora da Guia.
Horário: de 2ª a 6ª feira, das 9h às 16h30
Texto: Eduardo Nuno Oliveira
232720140
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